Guia: Como prever e reduzir acidentes de trabalho

Avaliação de Indicadores de Segurança é ferramenta essencial para o Técnico de Segurança do Trabalho

 

Acompanhar indicadores de acidentes e incidentes de trabalho é fundamental para o trabalho do técnico de segurança. Porém, a prática não deve se resumir aos dados internos da empresa. Buscar informações externas auxilia o profissional de segurança a identificar os parâmetros do mercado, justificar investimentos e estabelecer políticas mais eficazes de prevenção a acidentes.

O primeiro passo é buscar referências confiáveis, de acordo com a atividade econômica e região da empresa em questão. Anualmente, a Secretaria de Previdência, por meio da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev) e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) publicam o Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho (AEAT), disponível no site: http://www.previdencia.gov.br/dados-abertos/dados-abertos-sst/.

Divulgado desde o ano 2000, o material apresenta dados sobre acidentes de trabalho, suas principais consequências, setores de atividade econômica e localização das ocorrências. Os acidentes são, ainda, identificados de acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID) mais incidente por região.

Como ferramenta ao usuário, o AEAT conta com um aplicativo (INFOLOGO) na internet, que possibilita elaborar tabelas e gráficos personalizados, de acordo com o recorte de tempo e localização de interesse, considerando todas as edições anteriores.

Utilizando esses e outros dados, o técnico de segurança pode avaliar os tipos de acidentes mais comuns, o percentual de variação de ocorrências nos últimos anos e comparar com os dados internos de sua empresa e suas atividades. Desta forma, é possível mensurar os resultados da aplicação de novas práticas.

Um exemplo da necessidade de avaliação e reavaliação constante são novos tipos de acidentes em setores em desenvolvimento, como por exemplo os crescentes casos de morte por soterramento em silos de grãos. Um levantamento inédito feito pela BBC News Brasil revela que, desde 2009, ao menos 106 pessoas morreram em silos de grãos no país, a grande maioria por soterramento. O impressionante é que o trabalho em silos está entre as atividades com mais acidentes fatais no país, depois das profissões sujeitas a morte no trânsito.

"É fundamental que o técnico de segurança reavalie constantemente as informações disponíveis, investigue as causas e elimine os riscos de acidentes dentro das empresas. E para isso, os indicadores são imprescindíveis", explica Christian Camara, Diretor executivo da empresa Dois Dez Industrial.

Os indicadores de segurança também podem ser bons aliados para auxiliar na aprovação de investimentos na área de prevenção de acidentes. Pode ficar mais simples, se considerar quanto a empresa gasta com indenizações e afastamentos, resultantes dos acidentes atuais.


Sobre Christian Camara - Diretor executivo da empresa Dois Dez Industrial e especialista colaborador convidado do Ministério do Trabalho na elaboração do Anexo II da NR-35. É também profissional de acesso por corda N3, Instrutor de acesso por corda e resgate em altura. Examinador, consultor de acesso por corda e um dos autores do manual de acesso por corda pela Abendi. Técnico Rigger pela NSL/EAL-UK, especializado em montagem e remoção de plataformas de petróleo. Possui certificação em técnicas de segurança do trabalho pela EVOLVE e IOSH – UK. É certificado em processos de Análise Preliminar de Riscos pela Shell/Vocam e Primeiros Socorros avançado pela BP, NOGEPA e UKOOA. Auditor Interno ISO-RAC.

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19 dez 2018


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